CAIXA OPERADORA.

1. O mundo do Supermercado: quem somos e qual nossa função junto à comunidade?

Atualmente, nas cidades de médio e grande porte, pelo menos, os supermercados são tão importantes quanto hospital, escolas, praças, igrejas, áreas públicas de lazer, Shoppings Centers, etc. São, na verdade, equipamentos urbanos obrigatórios. Isto porque os supermercados constituem o tipo de varejo mais eficiente para a população, no ramo de generos alimentícios e não-alimentícios de grande consumo. São os mais baratos, os de maior higiene, os mais rápidos no atendimento ao consumidor, os que mais respeitam as leis e regulamentos, os que oferecem maiores vantagens pelo menor custo. Aliás, exatamente por satisfazer plenamente aos interesses dos consumidores é um setor que continua crescendo, com grande disputa entre as lojas!

As empresas supermercadistas já enfrentam concorrência de empresas estrangeiras há muito tempo. A maior empresa do setor é francesa. E a concorrência das empresas brasileiras também é muito acirrada, pois cada vez existem lojas mais perto umas das outras, facilitando a escolha por parte do consumidor, que pode optar pela que mais lhe convem.

Os supermercados já foram considerados os "vilões" da inflação: no plano Cruzado, na época do Presidente Sarney, muitos empresários e gerentes foram presos quando alguém poderoso assim o desejasse. Mesmo com todos os controles governamentais, contudo, a inflação explodiu. Atualmente, o Brasil tem uma inflação muito baixa e não há nenhum tipo de controle. Qual é a lição? Inflação não se diminui através dos preços, mas sim com políticas governamentais que eliminem gastos públicos desnecessários e mantenham a moeda com alto valor, sem excesso de oferta.

Nenhum outro tipo de comércio tem tantos clientes em suas lojas quanto os supermercados: em lojas de porte médio chegam a passar mais de cinquenta mil compradores num mês (claro que alguns vem mais de um vez ao mês na mesma loja!). Porisso os supermercados tem tanta preocupação com o consumidor, com suas necessidades e desejos. Porque este convívio intenso nos ensina a respeitá-lo e a compreender o quanto é importante cativá-lo e encantá-lo. Sem ele não existiríamos: o cliente é nosso oxigênio e nosso verdadeiro patrão.

É o cliente que traz o dinheiro para pagar as mercadorias, os nossos salários, os prestadores de serviços, os impostos e encargos governamentais, para manter a loja e equipamentos. É do que sobra deste dinheiro, depois de pagar tudo isto, que o empresário retira seu lucro, o resultado do capital que tem investido na empresa. E. normalmente, a maior parte deste lucro continua sendo reinvestido, gerando mais empregos, mais oportunidades de venda aos fornecedores, mais impostos, etc, numa contínua expansão da empresa. Isto é claro, quando ela é lucrativa, saudável: quando se consegue pagar tudo e ainda ter alguma sobra para reinvestir. É na frente de loja, nos caixas em que trabalhamos, que a mercadoria procurada pelo cliente transforma-se neste dinheiro que move a empresa. Como veremos ao longo de nosso curso, nosso trabalho é muito importante neste ciclo.

Uma empresa supermercadista pode ter diversos tipos de lojas: pequenas, com área de vendas de até 500 m2; médias, com área de vendas entre 500 e 1.500 m2; ou grandes, com área acima de 1.500 m2. Podem ser lojas de conveniência (ou de vizinhança) quando tem uma variedade enxuta, horário elástico (as vezes trabalhando aos domingos) e alguns serviços aos clientes, como bebidas geladas, comidas prontas, revelação de fotos, etc. Pode ser um supermercado, com grande variedade de produtos alimentícios, alguma coisa de bazar, perfumaria fina, vestuário (limitado) todas as seções de perecíveis, etc. Ou um hipermercado, que tem uma grande variedade de produtos (incluindo eletrodomésticos, eletrônicos, vestuário diversificado, etc).

Em qualquer uma destas lojas, contudo, os produtos são agrupados nos seguintes setores básicos:

  • Açougue, Frios, Salgados e Congelados, Hortifruti, Padaria e Peixaria (quando houver) são setores de um departamento chamado de PERECÍVEIS. Porque são produtos de vida mais curta do que os demais da loja. Eles, normalmente, são colocados ao fundo da loja. São produtos de compra quase que diária e, porisso mesmo, são muito importantes para a fidelização do cliente, isto é, para criar o hábito do cliente vir sempre à nossa loja. Ficam expostos em balcões refrigerados, congelados ou quentes (caso de alimentos prontos), ou em vascas, como são chamados os expositores de verduras e frutas.

    Os produtos de MERCEARIA e NÃO-ALIMENTOS são expostos em gôndolas e colocados no chamado salão da loja. São produtos de vida mais longa, conservação mais simples, porém também tem prazos de validade que precisam ser observados, após os quais não podem mais ser vendidos.

    O depósito da loja é onde permanece o estoque para resuprimento da área de vendas, até sua reposição pelo fornecedor ou depósito central. O escritório, com as funções administrativas da loja pode se localizar na frente, nos fundos ou em um pavimento superior. E a Frente de Loja é o setor onde ficam os caixas, guarda-volumes, vasilhames, compras para entrega domiciliar, etc.

    É claro que isto varia de empresa para empresa, mas, de um modo geral este é o agrupamento que se faz das mercadorias que vendemos neste ramo de comércio e o modo de distribuir os diversos setores.

    As lojas são organizadas como qualquer empresa, tendo um Gerente que dirige o grupo de funcionários, que se dividem naqueles setores citados acima, mais as funções de apoio, como Depósito e Administração.

    Algumas destas lojas são de maior porte, podendo dispor de refeitório para os funcionários e até pequena área de lazer para os descansos. Vestiários para trocar-se de roupa e vestir o uniforme, normalmente tem armários para guardar nossas coisas. É muito importante que estes armários não sejam utilizados para guardar qualquer coisa que naõ seja nosso, para evitar-se confusões com a segurança da loja. Informe-se dos procedimentos para guardar escova de dentes, pasta dental, escovas e pentes, lanches, etc.

  • 2. Frente de Loja: qual é nosso ambiente de trabalho?

    Nosso ambiente de trabalho, portanto, é lá na Frente de Loja, o lugar por onde os clientes saem, após suas compras. É o lugar onde as mercadorias se transformam em dinheiro (em papel, moeda, cheques, cartões de crédito, vales-alimentação, etc). Porisso mesmo é um lugar duplamente importante: primeiro porque precisamos transformar integralmente as mercadorias em dinheiro, sem perdas de nenhum tipo! E, em segundo lugar, porque além dos riscos de perder dinheiro, podemos perder os donos do dinheiro, que são os clientes! Comprar sempre é uma festa, mas pagar as compras é a parte mais triste (porém inevitável) desta festa... Assim, ao passar nos caixas, os clientes perderam um pouco daquele entusiasmo que tinham ao entrar, estão um pouco mais cansados, talvez um pouco incomodados por não ter encontrado algum produto, ou por ficarem numa fila aguardando o atendimento de um balconista. Podem também ter encontrado um preço mais alto do que em outro supermercado, uma sujeira no carrinho, um equipamento "pifado", etc. Em suma, a passagem pelos caixas pode ser a hora da verdade para "derramar o copo" de algum cliente. Mas também pode ser a grande oportunidade para apagar alguma eventual má impressão causado por outro setor da loja! E, em grande parte, este desfecho na visita do cliente dependerá de nós, operadores de caixas...

    3. Operadores de caixa: o que esperam de nós?

    Mas será que esperam apenas isto de nós, que sejamos uma espécie de "para-choques" da loja, aparando alguma aresta que tenha se criado na visita do cliente? É claro que não é somente isto. Mas este aspecto de relações-públicas, de compreender o quanto influenciaremos no grau de satisfação do cliente é muito importante ser entendido por nós. Portanto, cortesia, atenção e respeito para com os clientes é uma das atribuições mais importantes de nossa função.

    Outra responsabilidade importante é o registro correto dos preços das mercadorias (quando operamos com registradoras), ou a leitura correta das etiquetas com o código dos produtos (quando operamos com PDVs). É neste momento que a venda se realiza e é importante que a operação seja correta, registrando exatamente o tipo e o valor do produto que o cliente está levando. Falta de atenção neste momento pode acarretar muito prejuízo para a empresa, ou para o cliente, sem contar o risco de provocarmos uma confusão...

    No caso de registradoras, é muito importante o acionamento correto da tecla de cor correspondente à aliquota do imposto do produto. Para cada tipo de produto existe uma alíquota diferente, correspondente a cor da etiqueta do produto, normalmente. A digitação errada significará prejuízos para a empresa.

    Também é nossa atribuição cobrar o valor correto marcado nas etiquetas de preços ou no monitor do PDV, nem mais e nem menos. Cobrar o valor certo da mercadoria é o que garante a sobrevivência da empresa e sua imagem de seriedade junto aos clientes. Às vezes, existem mercadorias que não estão com os preços marcados (sem etiquetas) ou até mesmo sem o código de barras. Poderá ser apenas um erro ou tratar-se mercadorias especiais, cujos preços estejam em tabela distribuídas aos operadores. Neste caso é importante verificar-se se a tabela em nosso poder está atualizada, uma vez que alguns destes produtos (como hortifrutigranjeiros) tem grande flutuação de preços e podemos cobrar preços diferentes dos marcados no setor, ocasionando perdas para a empresa, ou para o cliente, além do risco de confusão. Até porque a lei determina que, em caso de dois preços, o cliente deverá pagar o menor.

    Quando houver pagamento com cheques é muito importante seguir as normas da empresa quanto ao seu recebimento, para evitar cheques sem fundos, roubados, mal preenchidos, etc. Em caso de dúvida sempre é conveniente chamar o supervisor de frente de loja para esclarece-las. Preste atenção em documentos apresentados (foto e assinatura) para identificar alguma eventual diferença suspeita. Também é importante conferir o limite coberto pelo Banco (Cheques Especiais) e seguir as normas da empresa em relação a isto. E, é claro, é preciso conferir se os valores (numerais e por extenso) estão identicos e conferem com o valor da compra. Troco para pagamentos com cheque não é usual, mas pode ser permitido pela empresa. Neste caso é bom saber quais as condições para sua efetivação e qual o limite autorizado, normalmente estabelecido como um percentual sobre o valor do cheque. Casos especiais, de clientes especiais, devem ser consultados junto ao responsável pela frente de loja.

    Cheques de terceiros, ou cheques previamente assinados não são aceitos pelas empresas, normalmente. Porém, existem casos especiais (como empresas do bairro, condomínios, pessoas idosas, etc) que podem justificar o recebimento. Nestes casos especiais é interessante fazer-se o cadastro prévio das empresas/pessoas que precisem deste tipo de recurso e passar uma listagem para os operadores ou exigir o visto do responsável pela frente de loja.

    No caso de pagamento com cartões de crédito, deve-se observar validade (quando não houver leitor magnético no equipamento) e sempre conferir a assinatura, para evitar receber cartões roubados. No caso de preenchimento manual, prestar muita atenção no valor da compra, para não errar! Também solicitar que o cliente coloque o número do telefone. Deve-se ter cuidado também com o equipamento e com o cartão do cliente, para não danificá-lo no caso de utilização daquelas maquininhas onde se imprime o formulário.

    Quando se receber a compra em vales-alimentação ou similares, é preciso atenção para verificar se não há vestígio de carimbos (indicando que já foram inutilizados -neste caso são roubados-) e se ainda estão dentro do prazo de validade. É bom lembrar que valem dinheiro e, portanto, precisam ser tratados com o mesmo cuidado ao recebe-los!

    No caso de pagamento em dinheiro, notas novas e de alto valor precisam ser verificadas para evitar o recebimento de dinheiro falso. Deve-se pedir orientação em caso de dúvida. O troco do cliente é aquele indicado pela registradora/PDV, deve ser colocado em sua mão, juntamente com o comprovante de compra e, ao entregá-lo, devemos agradecer ao cliente por sua preferência. Caso não dispuser de troco, solicite, gentilmente, ao cliente se ele não tem modo de facilitar e, no caso de resposta negativa, não "empurre" fósforos, balas, etc, sem antes consultar outros operadores e nunca antes de perguntar ao cliente se ele aceita este tipo de "troco". Lembre-se que é obrigação da empresa dispor de moeda fracionária para atender seus clientes. Por ocasião da abertura do caixa, a empresa deve entregar um valor determinado (o chamado fundo de troco) para cada operador, de modo que se possa fazer frente às necessidades operacionais. Caso venha a faltar troco o operador deve fazer nova solicitação, sendo a ele debitado o valor adicional. Estes valores recebidos devem aparecer ao final do expediente, juntamente com a prestação de contas, no saldo do caixa. Também é possível que o operador peça a um colega, ou ao pessoal de frente de loja, para trocar uma nota de maior valor por moedas ou notas de menor valor. Neste casos não se exige documentos, por existir a troca imediata. É sempre conveniente realizar este tipo de operação antes do troco acabar, o que exige sua atenção para a gaveta, quando não estão passando clientes.

    Caixas de produtos, fechadas, tanto pelo valor total quanto pelo risco de trazerem "embutidas" outros produtos, devem ser motivo de especial atenção pelos operadores e pessoal de frente de loja. Cada empresa tem uma norma diferente mas é importante que sejam tomados os devidos cuidados. Aliás, de um modo geral, deve-se conferir os produtos que venham embalados, como sacos de pães, frios e queijos, pacotes de carnes, de frangos, etc. Claro que sem abrí-los (e contaminá-los) mas de forma a verificar se realmente estão contendo aquilo que parecem conter! Nas épocas como Páscoa, Natal, etc, as embalagens promocionais (de bebidas, panetones, etc,) também precisam ser verificadas (quando não são lacradas) para se evitar que os clientes levem alguma coisa diferente daquilo que estão comprando, tanto para segurança delas quanto da empresa.

    Pode acontecer, também, que o cliente desista de parte ou totalidade de suas compras, após já terem sido registradas no caixa ou PDV. Neste caso, será preciso fazer um cancelamento deste registro, para que não falte dinheiro para o operador (já que o cliente não tem o dinheiro necessário) e a empresa não pague impostos desnecessáriamente. Embora cada empresa tenha um procedimento próprio, com certeza todas documentam este cancelamento e todas devem exigir a autorização de um funcionário de maior responsabilidade no documento, além da assinatura do operador.

    Existe também a possibilidade do cliente voltar para a troca de um determinado produto (danificado, tamanho diferente do pretendido, modelo diferente, sabor diferente, etc). As empresas devem estabelecer normas para este procedimento, levando-se em conta que é importante ter-se os clientes satisfeitos, aceitando a troca de bom grado. Por outro lado, sempre existem os aproveitadores que, sabendo destas normas mais liberais, procuram trocar produtos adquiridos em outras lojas, produtos estragados por falta de cuidados, etc. Cada caso é uma caso e é preciso bom-senso, encaminhando-se situações fora das normas para o pessoal responsável.

    Para a própria segurança do operador, todo valor monetário por ele/ela recebido deve, imediatamente, ser colocado na gaveta da registradora/PDV. Isto evita confusões e mal-entendidos e não desperta tentações para alguém que esteja mal-intencionado. Também é importante que seja realizada, regularmente, a chamada "sangria" que é a transferência, para o Caixa Central ou Tesouraria, dos valores nas gavetas dos operadores. Isto é uma precaução para não se acumular valores muito elevados nas gavetas e não despertar interesse de ladrões. É preciso haver acompanhamento nos valores que estão sendo recolhidos, para se evitar problemas ao final do expediente, quando podem aparecer faltas ou sobras no saldo do operador.

    Todo operador de caixa tem um horário previamente estabelecido, com início, intervalos para descanso e final da escala. Pode acontecer, no entanto, que seja necessária sua presença por mais algum período em função de um movimento maior do que o previsto. Neste caso, entenda, sempre que o bom atendimento ao cliente é condição básica para que ele continue voltando à loja e pagando nossos salários. Pode acontecer, porém, que por compromissos anteriores com horário de escola, creches, etc, o operador tenha dificuldades para horas-extras em alguns dias. É importante avaliar bem este ponto antes de aceitar a função e de combinar as escalas, para evitar problemas!

    A rendição de caixas, com transferência de valores (acumulados nos registros do equipamento), de um para outro, deve ser acompanhada por um dos responsáveis pela frente de lojas, além de ser documentada e assinada pelos dois operadores. O fechamento do caixa, com a leitura da venda acumulada e o encaminhamento dos valores ao Caixa Geral/Tesouraria deve ser realizada com o preenchimento adequado dos formulários da empresa. Este procedimento cauteloso visa dar garantia não somente à empresa, mas também ao funcionário. Lembre que eventuais faltas e sobras irão influenciar na avaliação de seu desempenho, além de terem que ser ressarcidas. Muita atenção, portanto!

    Além destas funções típicas, os operadores de caixa ainda precisam auxiliar na administração dos embaladores, que são aqueles que empacotam os produtos adquiridos pelos clientes, junto aos check-outs. Cuidar para que o tempo deles seja bem aproveitado, não o desperdiçando com papo-furado e brincadeiras.; ajudar a economizar embalagens utilizadas por eles, verificando se as sacolas estão bem feitas, sem exageros; prestando atenção se os uniformes deles estão limpos, cabelos arrumados, unhas e mãos limpas, etc.

    Mercadorias sem preços/etiqueta também precisam ser controladas, pois é um desgaste junto aos clientes: depois de solicitar que alguém verifique qual o valor do produto, deve-se anotar sua descrição/código para encaminhá-lo ao encarregado daquela seção. É o operador quem "descobre" a falta, portanto é ele quem pode ajudar a resolver o problema.

    No caso de devoluções de mercadorias pelo cliente, também é importante que estas retornem imediatamente ao ponto de venda. Assim, o operador pode ajudar nesta tarefa, solicitando a alguém que o faça, especialmente se o produto abandonado for de natureza perecível.

    Quando estivermos mais folgados no atendimento aos clientes, naqueles horários de menor movimento, podemos auxiliar na limpeza de carrinhos e cestinhos, de nossos próprios check-outs, e na limpeza do chão da frente de loja. É um assunto a ser tratado com a chefia do setor. Porque atualmente, nas empresas modernas, joga-se como um time de futebol: hora de atacar, todo mundo lá na frente, tentando marcar ponto; hora de defender, todo mundo atrás, tentando tirar a bola do adversário! É o que se chama polivalência, isto é: saber jogar em todas as posições.

    4. Relações com os clientes e amigos: como nos comportar?

    Os clientes, como já vimos anteriormente, são quem pagam nossos salários: são nossos verdadeiros patrões! Portanto, devem ser muito bem tratados, com respeito, cortesia e atenção. Respeitá-los significa tratá-los sem intimidades do tipo:"oi, tio", "é isso aí, cara!" ou "como vai, amizade?", etc. Significa que não devemos tomar liberdades com eles, que manteremos um relacionamento cordial, mas respeitoso. Cortesia quer dizer boa educação, um tratamento de quem está recebendo uma pessoa importante em sua casa: "bom dia", "boa tarde", "muito obrigado", "volte sempre", "posso ajudar em alguma coisa?", etc. E atenção para com o cliente quer dizer esforçar-se para entender o que ele deseja, descobrir o que gosta e o que não gosta. Quer dizer que faremos o possível para compreender suas expectativas! Quando algum cliente solicitar uma informação ou uma explicação, devemos nos esforçar para atende-lo adequadamente. Quando não estivermos em condições de oferecer uma resposta, somos nós quem devemos procurar um colega apto para responder e não deixarmos o próprio cliente tentando descobrir quem o possa faze-lo!

    É claro que encontraremos clientes que, aparentemente, não irão valorizar este nosso comportamento. Mas, no fundo, apreciarão e preferirão ser tratados assim. Também existirão aqueles que, infelizmente, poderão ser grosseiros e mal-educados conosco. Nem porisso, no entanto, devemos modificar nossa forma de tratá-los, porque, afinal, a maioria não deverá "pagar o pato" só porque algumas pessoas estão de "mal com o mundo!". Além disto, mesmo que um cliente não esteja com a razão, sempre será a pessoa mais importante para nosso negócio!

    Aliás, o mau-humor é uma das grandes queixas dos clientes de supermercados! Nas pesquisas, aparece com uma grande incidência a reclamação "que os funcionários da frente de loja parecem estar sempre de mau-humor, especialmente os operadores de caixa!". Isto indica que devemos fazer um esforço geral para manter um sorriso em nossos rostos, ou pelo menos, eliminar aquele ar carrancudo "de quem irá morder o primeiro que chegar perto!". É claro que existem muitas dificuldades em nossa vida e que isto pode nos deixar com a disposição "um pouco para baixo". Mas é preciso deixar os problemas do lado de fora da loja e jogar o "astral para cima". Afinal, que culpa tem os outros por nossos problemas?

    Devemos saber separar, também, os interesse de amigos e parentes que, eventualmente, serão clientes da loja e poderão passar pelo check-out em que estivermos trabalhando. Não podemos "misturar" as coisas e tratá-los de modo preferencial, ou diferente dos demais. Na verdade, devemos tratar todos os clientes como se fossem nossos amigos, porém, sempre respeitando as regras da empresa e não fazendo "favorzinhos" que possam nos criar problemas com a empresa.

    Em caso de insistência de algum cliente para um procedimento não permitido pela empresa, devemos solicitar a presença de um dos respon-sáveis pelo setor, para evitar-se confusão. Ao mesmo tempo, agindo assim, estaremos deixando bem clara nossa intenção de não praticar nada que não esteja de acordo com as regras.

    5. Relações com os colegas: como nos comportar?

    Quando se vive e trabalha em grupo, torna-se necessário respeitar certas regras, entender que a nossa liberdade termina onde começa a do outro. E nós passamos um terço de nossa vida trabalhando e convivendo com os colegas. Assim, é muito importante que o ambiente de trabalho seja um lugar legal, propiciando-nos muito mais momentos de alegria do que incomodação!

    Devemos começar pelo "bom-dia", "olá, como vai", etc, saudando os colegas ao iniciar nossa jornada diária. Isto cria um clima mais favorável para a cooperação. Já que somos um time que busca fazer gols, isto é, produzir resultados! Ao longo do dia de trabalho, pedir "por favor", "por gentileza" ao solicitar cooperação ou determinar uma tarefa, é melhor do que uma ordem seca, mesmo para um colega subordinado a gente. O que não gostamos que façam conosco, não devemos fazer aos outros...

    Fofocas, "disse-que-disse" e "estorinhas do fulano e siclana", não levam a nada, a não ser confusão e normalmente acabam em bate-boca e enfraquecimento do espírito de time, de equipe. Assim, evite este tipo de comportamento e evite "dar linha" a conversas deste tipo, porque voce já sabe como vai terminar... Por outro lado, não se omita com nada errado, mas conversando com a pessoa certa e sem tirar o corpo fora!

    Respeitar a hierarquia significa saber ouvir, mas também expor nossas opiniões com tranquilidade, visando benefício da empresa e da qualidade do trabalho. Quem tem posições claras, firmes, mas sem ser intransigente, sem ser teimoso, acaba sendo mais valorizado pelos colegas e mesmo pelas chefias. Afinal, jogar para o time não significa virar "vaquinha de presépio" e dizer amém a tudo! Lembre-se, contudo, que autoridade se adquire e que as pessoas nos respeitarão quando a gente também as respeita.

    6. Relações com fornecedores: como nos comportar?

    Fornecedores são nossos parceiros: estão no mesmo barco, buscando consumidores para seus produtos ou nossa satisfação com os serviços que nos prestam ou equipamentos que nos vendem. No entanto, muitas vezes seus interesses não são exatamente os mesmos que os nossos. Portanto, é preciso trata-los com respeito, cortesia e atenção, mas tendo em vista sempre os interesses maiores de nossa empresa.

    Muito cuidado com convites para atividades fora da rotina do trabalho. Pergunte-se sempre se o convite também seria feito se voce estivesse no lugar dele e ele no seu... No entanto, não é preciso tratar mal as pessoas apenas porque elas possam ter interesses na gente para obter esta ou aquela vantagem. Apenas conserve o espírito crítico e não se deixe "enrolar" por aparências!

    Não faça nada fora das normas para agradar "fulano ou siclana". Tenha bem claro suas obrigações e não "entre em furada". Especialmente pela função que exercemos, ligada à movimentação de valores, devemos zelar muito pela nossa reputação, evitando mal-entendidos com quem quer que seja!

    7. Equipamentos sob nossa responsabilidade

    Na frente de loja temos um bocado do capital investido na loja: as caixas registradoras ou PDVs; os balcões (ou check-outs), impressoras fiscais, "scanners" (leitores das etiquetas com códigos de barra), impressoras fiscais, impressoras de cheques, no-breaks (equipamento para dar energia aos check-outs, quando falta luz), os carrinhos e cestinhos, maquinetas de cartões de créditos, telefones, etc...

    Todos estes equipamentos precisam ser bem conservados, para que tenham o máximo de tempo de vida útil, antes de serem aposentados. Uma das maneiras de fazer isto é utilizando-os de acordo com as recomendações de uso que o fabricante faz. É importante que voce procure conhecer seu modo de funcionamento, suas "manhas" e os procedimentos básicos, antes de voar sózinho.

    Um dos grandes inimigos de equipamento eletro-eletrônico é a água, a umidade. Não há nada pior. Outro inimigo é a poeira e a sujeira, infiltrando e entrando para junto dos circuitos e placas internas. Clips e objetos metálicos que caem pelas ranhuras de refrigeração também podem provocar curto-circuitos capazes de queimar o equipamento. Fios mal conectados, desencapados e "gambiarras" elétricas também podem redundar em prejuízos e até num belo choque no operador... Portanto, comunique imediatamente ocorrências de problemas deste tipo, antes que seja tarde.

    Carros e cestinhos precisam estar sempre limpos para os clientes, com rodinhas deslizando normalmente e sem arames soltos para rasgar a roupa dos clientes ou embalagens. Devem estar bem arrumados na frente de loja e não passar a imagem que acabaram de chegar de alguma "guerra"...

    Impressoras de caixas registradoras e dos PDVs precisam de papel. Aprenda a fazer sua reposição (quando for a norma da empresa), para faze-lo direito e sem danificar o equipamento. Lembre-se de uma regra básica: quando não souber como fazer alguma coisa, não experimente: chame alguém para ensiná-lo!

    8. Aparência: higiene pessoal, cabelos, unhas, roupas.

    Num supermercado, as estrelas devem ser os produtos, o equipamento, a loja como um todo. Portanto, use roupas discretas, cabelos arrumados e bem aparados, sapatos engraxados ou tenis limpos. Dentes bem escovados, desodorante discreto debaixo dos braços, colônias e perfumes leves, sem aroma marcante. Unhas bem cortadas e limpas, mãos lavadas. Mulheres com maquiagem suave (sem aquele "tchan" exagerado) e de saias com comprimento não muito curto, para evitar chamar a atenção. Homens devem estar sempre de barba feita.

    Quando houver uniformes, devemos zelar pela sua aparência, lavando-o regularmente, prendendo botões, recosturando (quando for o caso) e vestindo-os apropriadamente. Quando a empresa adotar crachás, não esquece-los em casa e usá-los conforme as normas.